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A igreja e o suicídio

Há irmãos que acham que é frescura, coisa do diabo, ou até maldições hereditárias. Outros não perdem a oportunidade de já mandarem os suicidas para o inferno, externando isso para familiares ainda enlutados.

Depois dos recentes suicídios de artistas de renome como os cantores Scott Weiland (da banda Stone Temple Pilot) e Chris Cornell (das bandas Soundgarden e Audioslave) e ontem do famoso vocalista do Linkin Park, Chester Bennington, fiquei refletindo que esse é um mal que não tem acometido apenas astros ou drogados, mas, sim, feito vítimas no próprio seio da igreja, ainda que de forma velada.

O suicídio ele traz perplexidade para a maioria das pessoas, pois vivemos em um mundo, principalmente no Ocidente, onde a morte é vista como um tabu. Tanto que quando jornais noticiam que alguém se suicidou, o termo quase nunca é usado na manchete. Ali é dito apenas que “foi encontrado morto(a)”.

Nas igrejas, ainda há muitas pessoas que não são capazes de reconhecer que a depressão é uma doença, um distúrbio mental caracterizado pela perda de interesses em atividades, prejudicando significativamente o dia-a-dia das pessoas, demandando tratamento psiquiátrico e psicológico quase sempre e de perto.

Há irmãos que acham que é frescura, coisa do diabo, ou até maldições hereditárias. Outros não perdem a oportunidade de já mandarem os suicidas para o inferno, externando isso para familiares ainda enlutados. Parece que a insensibilidade com a dor do outro chega ao ponto de não serem capazes de ver que somos apenas humanos, e, assim sendo, frágeis, e passíveis de estarmos enfermos.

Fora a questão orgânica a trazer propensão para estados melancólicos e/ou depressivos, o cristão, a meu ver, deve estar atento à própria ideologia que domina o mundo atual, criando um modelo de mundo sem Deus, sem valores e parâmetros e extremamente competitivo, o que acaba gerando frequentes buracos existenciais nas pessoas.

Algo, a meu ver, que tem contribuído muito para isso, é a exposição contínua e massacrante de informações e redes sociais. Parece que as pessoas têm deixado de se alegrar no contato olho no olho, no andar mais lento da vida. Ontem, mesmo eu estava fazendo algo que me dava extremo prazer no passado, e hoje, sem entender exatamente o porquê, não faço mais. E ao realizar a atividade veio uma alegria e uma emoção diferente que não tenho sentido frequentemente.

Outro aspecto é que a depressão muitas vezes tem como componente a dor, de termos sido rejeitados ou não recebido o valor que achávamos que tínhamos de alguém que prezávamos ou até das instituições. Quantos hoje não estão adoecidos na alma por acharem que não foram tratados pela Igreja como deveriam ter sido?

É a famosa JUSTIÇA PRÓPRIA que carregamos dentro de nós e quando esta não é atendida abre-se um campo imenso para ressentimentos, mágoas e frustrações, sentimentos quase sempre presentes nos quadros depressivos. A Bíblia é repleta de histórias que evidenciam isso. Isso acaba nos deformando, pois esquecemos que somos imagem e semelhança de Deus.

Que estejamos nos cuidando e lembrando das palavras eternas de Jesus: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16:33). Que tenhamos força e perseverança na nossa peregrinação por esse mundo, sabendo reconhecer a beleza da vida, ainda que no meio das atribulações.

Por Leandro Bueno

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