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O cristão pode perder a salvação? John Piper responde

Teólogo usa grego para tentar explicar que “crentes genuínos em Cristo não perdem sua salvação"

O teólogo John Piper analisou em seu programa de rádio pela internet desta semana uma dúvida comum entre alguns segmentos evangélicos.

Respondendo à pergunta de um ouvinte, sobre o texto de Hebreus 10:26-29, disse que os “verdadeiros crentes em Jesus Cristo não podem perder a salvação, mesmo que continuem pecando”.

Piper aprofundou a questão complexa, admitindo que esta passagem “muitas vezes dá a impressão de que uma pessoa pode possuir a plenitude da salvação, mas depois a perde”. Porém, ele garantiu que uma análise mais profunda mostra que essa não era a intensão do autor.

“Ele parece estar falando sobre a capacidade de alguém perder a salvação quando peca ‘deliberadamente’. Mas qual é o oposto de um ‘pecado deliberado’? É um pecado acidental ou algo assim? Parece-me que, devido à presença da convicção do Espírito Santo, todo o pecado cometido pelo crente é feito no exercício de sua vontade”, argumentou.

Para o estudioso, a questão chave para a correta interpretação está no que se entende por “deliberadamente’ – ou ‘voluntariamente’ como em outras traduções.

“O termo deliberadamente é a tradução do grego ἑκουσίως. Esta palavra também é usada em 1 Pedro 5:2, que diz: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente [ἑκουσίως]”, explicou.

“Logo, isso nos mostra que existem dois tipos diferentes de vontade. Uma é uma decisão sincera, e a outra um tipo de compulsão”, continuou Piper. “Pode-se argumentar que os pastores exercem de boa vontade o pastoreio do rebanho de Deus. No caso, isso os deixa feliz. É um ato que envolve toda a disposição. No outro caso, é um erro que, evidentemente, vai contra uma simples vontade ou desejo, pois preferiríamos não fazer isso”, pontuou, num contraste entre os dois usos do mesmo termo grego.

Portanto, conclui Piper, todos os pecados são frutos da vontade, uma vez que os humanos são livres para escolher. Mas Hebreus 10:26 sugere que não se trata de um pecado só como erro, mas de “um ato mais intencional, que envolve toda a vontade”. Isso revelaria que essa pessoa não é renascida no seu espírito.

Além disso, o que fará a diferença é ver que, nesse caso, se está “pecando continuamente”, ou seja, uma atitude pecaminosa “constante e persistente”.

Se este é o caso, aponta o teólogo, “O que destrói a alma, e nos colocaria além do perdão no versículo [Hb 10:26], não é o pecado por si só, mas um padrão de conduta pecaminosa, deliberada, planejada e persistente”.

Destacou ainda as passagens de Hebreus 10:14 e Hebreus 3:14, onde o autor do livro fala sobre uma espécie de “processo de santificação em Cristo”, que garante que após ter nascido de novo, a pessoa não perde a salvação, mas também não está isenta de errar.

Portanto, conclui Piper, “não acho que os crentes genuínos em Cristo perdem sua salvação”, pois os pecados podem ser “confessados ​​e perdoados” e isso difere de quem “vive pecando”. Nesse caso, a pessoa jamais foi salva.

Com informações Christian Post

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