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Que tipo de fariseu você é?

O certo é que de Religiosos e Fariseus cada um de nós tem um pouco.

Segundo a história os Fariseus surgiram aproximadamente por volta do ano 170 a.C., com a perseguição de Antíoco Epifânio. O helenismo ameaçava invadir a religião que cultuava ao Deus verdadeiro para destruí-la e absorvê-la.

Em consequência disso, formaram-se no seio do povo judeu, iniciando pela classe elevada, duas tendências opostas: uma que rejeitava o helenismo com indomável energia, e outra que aceitava com certa moderação as ideias e influências do paganismo. De certa forma o surgimento dos Fariseus foi de grande valia para a época.

O grande erro deste grupo foi o desvio do propósito inicial. Os partidários da primeira tendência foram, então, chamados de “Perushins” (os separados). Sobre suas práticas exageradas escreveu Marcos:

“E ajuntaram-se a ele os fariseus, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém. E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam. Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes; E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.” (Mc 7.1-4)

O próprio Talmude (um dos livros básicos da religião judaica, contém a lei oral, a doutrina, a moral e as tradições dos judeus [Surgido da necessidade de complementar a Torá, foi editado em aramaico como um extenso comentário sobre seções da Mixná, reunindo textos do sIII até o sV.] ) quis privar-se do maligno prazer de registrar a atitude ridícula de muitos deles: “ Existem sete tipos de Fariseus”:
– O que aceita a Lei como uma carga
– O que age por interesse
– O que bate a cabeça contra a parede para não ver uma mulher
– O que age por ostentação
– O que pergunta qual é a boa obra que deve fazer
– O que age por temor
– O que age por amor

É praticamente impossível fazer a leitura acima sem aplicar uma conexão com a espiritualidade dos Fariseus do século XXI.

Nossas igrejas são frequentadas por um grupo que vai às reuniões não porque entendam ser o mínimo que possam fazer em gratidão por tudo o que receberam de Deus, mas para lá se dirigem contrariadas, amarguradas e oprimidas. Tal qual os Fariseus da época de Jesus são crentes escravos, religiosos e desprovidos da alegria no servir.

Temos também aqueles que estão no evangelho por aquilo que possam usufruir dele, seja no aspecto financeiro ou social. Não é difícil encontrarmos estes Fariseus que estão mais preocupados em estabelecer seu egoísta reino terreal a despeito de renunciarem a tudo pelo Reino Celestial.

Não podemos nos esquecer dos Fariseus puritanos, santificados e consagrados. É verdade que aparentemente são o exemplo da pureza, todavia em suas recâmaras são os perfeitos representantes da licenciosidade, capazes de deixar Calígula envergonhado com suas prática. Aprendemos com eles que tão radical quanto suas práticas ascéticas são seus surtos pervertidos na queda.

Os Fariseus da ostentação são os líderes que, a despeito da desgraça e penúria financeira que causem a seus fiéis liderados através de distorções Bíblicas e terrorismos psicológicos, sentem-se abençoados e nunca saciam sua gula por dinheiro e bens materiais. Estes pobres incautos, apesar de espoliados, sentem-se felizes pelo enriquecimento de seus líderes, ainda que isso signifique tornarem-se cada vez mais pobres e endividados.

Há aqueles que estão na massa da comunidade, porém não sabem o que estão fazendo ali. Não entendem sequer qual a obra a fazer. Não tem compromisso com a Palavra, com Deus e nem com sua igreja. São os cristãos nominais chamados de “crentes andorinha”, frequentadores de reuniões que hoje estão na tua comunidade e amanhã estarão na minha.

Outros são os fariseus que estão nas comunidades por temor. Servem a Deus não por amor, mas por medo. Sua fé foi edificada sobre pilares do terrorismo psicológico e mecanismos espirituais opressores. São insensíveis, vazios, frios e calculistas. Não são capazes de enxergar o perdão e a misericórdia. Julgam conforme seus próprios parâmetros e preferem congregar em uma igreja vazia, frequentada por pessoas deslocadas da verdade do que ensinarem a Verdade que Liberta.

Finalmente encontramos o Fariseu sensato, aquele que compreendeu a mensagem e entende que não existe nada que possamos fazer para Deus que venha justificar ou salvar a nossa alma, somente a fé em Jesus, o Filho de Deus, que, por um grande e insondável amor, entregou sua vida por nós para a remissão de nossos pecados. Agora ele não age mais por temor, agora ele tem foco, sabe qual a sua missão no Corpo de Cristo. O Fariseu convertido será uma benção na sua casa, em seu trabalho e em sua Igreja. O Fariseu que age por amor será amado pelo Pai.

O certo é que de Religiosos e Fariseus cada um de nós tem um pouco.

E você? Que tipo de Fariseu você é?

Por Armando Taranto Neto

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